Quando fui tomar o meu café à varanda, há pouco, as palavras pensaram-se e sentiram-se melhor que o que, com certeza, as escreverei agora. Lá fora, a frescura que senti fez-me recordar a sortuda que vocês me criaram na minha infância, cheirou-me a maresia, a neblina matinal típica da praia. Por momentos, fiz uma caminhada de quilómetros (naquela atura pareciam quilómetros e agora ainda pareceriam mais, pois não me vejo com capacidade para enterrar os pés na areia que deve estar gélida). Que se há-de fazer, na altura não sabia, não podia, nem queria dizer não... Afinal de contas, saiu-me a lotaria e eu tinha mais era que fazer proveito dela. Meus pais. Sabes, mamã, como te estava a contar, o aroma a maresia lembrou-me as caminhadas madrugadoras para ir ver os pescadores a chegar, ou então, se demasiado tarde, ver se restava peixinho caído das redes que me sabia pela vida frito em mini-espetadas ao fim da tarde. Não sei se hoje o que me faz gostar tanto de peixe é isso: as mem...
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