A cerca de cem metros da minha varanda (lamento, não consigo descobrir o valor exato da hipotenusa, também não tenho o dos catetos), vêem-se, deslumbrantes papoilas vermelhas que sobressaem no relvado do campo da "quinta da D. Isabel Gentil", para onde muitas vezes fui ameaçada de que lá iriam parar determinados e variados objetos caso eu não os largasse, mas isso é outra história.
As papoilas, que também são vermelhas. Hoje, dia 23, certo? Um cheiro a liberdade que se fica apenas pelo cheiro ao abrigo da varanda, mas não falemos de cravos, aqui o que interessa agora são as papoilas. Tão lindas, da primavera já anunciada e a ponto de prescrever antes ainda de ter sido vivida em condições.
Salvaguardam-se os medos de tocar e eu só penso que se aquela rua fosse minha, talvez já não houvessem papoilas... como seria eu capaz de roubar as papoilas à primavera? Da mesma forma como a primavera me tem roubado as papoilas a mim.
As papoilas não têm um grande aroma, pelo menos que eu me recorde, mas são bonitas para tingir as páginas dos livros onde estão os textos que mais nos tocam, ou para dar um pouco de cor à descolorida tez que a falta de sol inscreve.
As papoilas podem, por breves minutos, tornar uma mulher na coisa mais encantadora de sempre, também são vermelhas.
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